sexta-feira, 9 de maio de 2014

Enchente do rio Madeira já dura três meses
















A cheia do rio Madeira já dura três meses e nesse período deixou um rastro de destruição e abandono nos municípios de Rondônia. O rio chegou a marca histórica de 19 metros e 74 centímetros segundo dados da Agência Nacional de Águas. Até agora mais de 30 mil pessoas foram afetadas em várias cidades, mas a capital, Porto Velho, localizada às margens do rio Madeira, foi a mais atingida. A BRs 364 e 425 foram as mais afetadas e ficaram inundadas em vários trechos deixando isolados os municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, assim como o Estado do Acre. 

Os desabrigados ainda estão alojados em escolas, sindicatos, igrejas e abrigos da Defesa Civil. Muitas famílias perderam tudo e suas casas serão demolidas, pois não oferecem mais segurança e podem desabar. Em Porto Velho 1.806 famílias ainda estão desabrigadas e 4.226 na casa de parentes e amigos. A cheia do rio Madeira também compromete diretamente a educação. Cerca de 7 mil estudantes ficaram sem aula durante três meses, por causa da ocupação das escolas pelos desabrigados.

As comunidades ribeirinhas da Capital rondoniense são as mais atingidas pela cheia. Os distritos de São Carlos, Nazaré, Calama e São Sebastião localizados às margens do Madeira foram totalmente inundadas. Todos os moradores foram retirados por equipes dos Bombeiros, Defesa Civil, Militares do Exército, Marinha, Polícia Militar e voluntários. A força da água atingiu as plantações e os agricultores perderam toda a produção.
O governo de Rondônia e a prefeitura de Porto Velho decretaram estado de calamidade pública. Os prejuízos econômicos na indústria, comércio e na agricultura ainda não foram calculados, mas os primeiros levantamentos revelam números alarmantes. Segundo a Secretaria de Estado de Estudos Estratégicos os prejuízos somam 1,2 bilhão de reais no comércio e na indústria apenas nos municípios de Porto Velho, Guajará-Mirim e Nova Mamoré.

Mas os prejuízos no estado de Rondônia podem chegar a 5 bilhões de reais. Somente na Capital, calcula-se um prejuízo de 613 milhões de reais na agricultura. Dados da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento apontam que em 2013 a produção agrícola atingiu a marca recorde de 280 toneladas em Porto Velho. Nesse ano, 100% da produção foi perdida. Laticínios, rebanhos e lavouras inteiras foram destruídos. Somente na Capital, as perdas na agricultura somam mais de 105 cabeças de bovinos e suínos, 1,7 milhão de litros de leite, 72.400 quilos de peixe da piscicultura e pesca artesanal.

A cheia do rio Madeira provocou estragos e prejuízos econômicos em outros municípios. Moradores de Guajará-Mirim e Nova Mamoré ficaram isolados e ilhados por mais de sessenta dias. É que as BRs 364 e 425, única ligação entre Porto Velho e esses dois municípios, tiveram vários trechos alagados. A população sofreu com o desabastecimento de alimentos e combustíveis, principalmente gasolina e gás de cozinha. O comércio parou e pacientes mais graves tiveram que ser transportados de avião para Capital. 

As águas não pouparam as aldeias indígenas localizadas às margens dos rios Mamoré e Guaporé. Outros distritos como Jaci Parana, Araras, Abunã também ficaram isolados.
As águas já começaram a baixar, mas deixaram um rastro de destruição e prejuízos. A assistência às vítimas das cheias continua. Começa agora uma grande mobilização da sociedade rondoniense pela recuperação dos prejuízos, pela reconstrução dos lares, da infraestrutura e da economia do Estado. Rondônia, que foram fortemente abaladas. Rondônia é um estado jovem e conta com o apoio da União e de todo o Brasil.

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